O Tocantins amanheceu de luto. Faleceu nesta quinta-feira (23), em Brasília, o prefeito de Augustinópolis, Antônio Cayres de Almeida, mais conhecido como Antônio do Bar, aos 75 anos. Figura histórica do Bico do Papagaio e símbolo de uma geração política marcada pela simplicidade e proximidade com o povo, Antônio deixa um legado inapagável no norte tocantinense.
Nascido em 25 de agosto de 1950, em Érico Cardoso, no interior da Bahia, ele chegou ainda jovem à região que viria a se tornar Augustinópolis, em 1977. No então povoado de “Centro do Augusto”, abriu um pequeno comércio que rapidamente se tornaria ponto de encontro dos moradores. O bar, simples, com uma televisão — a primeira instalada na cidade —, virou o embrião de um líder popular que aprendeu a ouvir, acolher e falar a mesma língua da comunidade. Foi daí que nasceu o apelido que o acompanhou por toda a vida: Antônio do Bar.
Do balcão para a Prefeitura
De comerciante a prefeito, sua trajetória é uma das mais emblemáticas da política tocantinense. Antônio foi eleito prefeito de Augustinópolis pela primeira vez em 1989 e, desde então, escreveu uma história marcada por cinco mandatos, incontáveis obras e uma liderança que atravessou gerações. Sempre com o mesmo estilo — direto, humano e determinado.
Durante suas gestões, promoveu obras estruturantes, como a pavimentação de ruas, construção de escolas, postos de saúde e praças, além de iniciativas voltadas para o esporte e a juventude. Para os moradores, ele era o prefeito que “sabia onde o povo morava”, expressão que traduz sua forma de governar: andando, conversando, resolvendo.
Um líder que falava com o coração
Antônio do Bar não era apenas um político — era um símbolo. Um homem que, mesmo no poder, nunca se distanciou da origem. Era comum vê-lo tomando café nas padarias da cidade, caminhando entre os feirantes ou participando de festas populares. Sua fala simples e sua risada fácil o tornaram uma das figuras mais queridas da história política do Tocantins.
“Ele não era só o prefeito, era o pai de todos. Augustinópolis cresceu junto com ele”, disse um morador emocionado durante a notícia de seu falecimento.
Família e sucessão política
Casado com Deijanira de Almeida Pereira, conhecida como Dona Deija, que também foi prefeita de Augustinópolis, Antônio consolidou uma família de forte presença política e comunitária. O irmão, deputado estadual Amélio Cayres, é hoje uma das principais lideranças do norte tocantinense e tem em Antônio uma de suas maiores referências de vida pública.
Últimos dias e despedida
Internado em Brasília para tratar de complicações de saúde — entre elas, sequelas da COVID-19 —, Antônio do Bar não resistiu e faleceu nesta quinta-feira, deixando a cidade em comoção. Nas redes sociais, líderes políticos de todo o estado lamentaram sua morte, destacando sua história de superação, trabalho e amor por Augustinópolis.
O corpo será velado no Ginásio Poliesportivo de Augustinópolis, onde milhares de moradores são esperados para prestar a última homenagem ao homem que transformou o nome da cidade em sinônimo de coragem, desenvolvimento e identidade regional.
Legado
Antônio do Bar será lembrado não apenas como prefeito, mas como um dos fundadores da identidade política do Bico do Papagaio. Um homem que saiu do balcão de um bar para a cadeira de prefeito, e que, com humildade e trabalho, tornou-se exemplo de liderança popular em todo o Tocantins.
“Antônio do Bar era daqueles políticos raros — que não precisavam de discurso bonito para conquistar o povo. Bastava aparecer, porque o povo sabia que ele vinha pra resolver”, destacou um aliado histórico.
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