A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (27), nova fase da Operação Sisamnes em Palmas, capital do Tocantins, com foco em aprofundar as investigações sobre o vazamento de decisões judiciais sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultou em três prisões preventivas, entre elas a do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), além de um advogado e um policial civil.
A ação ainda cumpriu três mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares diversas, todas também determinadas pelo STF.
Segundo nota oficial da Polícia Federal, a investigação revela a atuação de uma organização criminosa estruturada para vazar informações confidenciais a investigados, com a participação de agentes públicos, advogados e operadores externos. O objetivo seria frustrar ações policiais em curso e proteger aliados políticos por meio de acesso privilegiado a dados sigilosos.
Relação com o advogado Thiago Barbosa
O prefeito Eduardo Siqueira já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em maio de 2025, na 9ª fase da mesma operação. À época, a PF solicitou seu afastamento do cargo, mas o pedido foi negado pelo STF.
Eduardo é investigado por supostamente ter repassado informações sigilosas ao advogado Thiago Marcos Barbosa, preso desde março. Thiago é sobrinho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e figura central nas investigações por suspeita de ter acessado ilegalmente inquéritos sigilosos e os repassado a aliados.
De acordo com a PF, há indícios de diálogos entre Eduardo e outros investigados, nos quais o prefeito demonstra conhecimento detalhado sobre ações judiciais em curso no STJ e afirma ter “fontes no tribunal”. Eduardo nega o envolvimento, mas admite ser próximo de Thiago e diz que apenas o indicou para representação jurídica.
Wanderlei nega envolvimento
O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, embora citado nas investigações, não é alvo direto do inquérito, segundo a Polícia Federal. Ele afirma não ter tido qualquer acesso a informações privilegiadas nem envolvimento com o caso.
Repercussão e próximos passos
A prisão do prefeito da capital provoca forte impacto no cenário político do Tocantins. O caso ganha contornos ainda mais sensíveis diante da proximidade do ano eleitoral de 2026, no qual Eduardo era especulado como possível candidato ao Senado ou a novo mandato majoritário.
Com a deflagração desta nova fase da Sisamnes, o cerco se fecha em torno de uma rede de influência que teria operado para blindar aliados e manipular o andamento de investigações de alto nível.
A Polícia Federal segue apurando a extensão da atuação do grupo e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias.



