Por Oseias Reis
O xadrez político do Tocantins começa a ganhar contornos mais definidos à medida que duas movimentações nacionais reverberam com força no estado: a fusão entre PSDB e Podemos, em estágio avançado, e a oficialização da federação entre União Brasil (UB) e Progressistas (PP), selada nesta semana. Ambos os arranjos têm potencial para redefinir alianças, candidaturas e estratégias eleitorais rumo a 2026 — e colocam figuras centrais do cenário local em rota de colisão ou composição forçada.
No primeiro movimento, a possível fusão entre PSDB e Podemos pode reunir no mesmo campo políticos que hoje dividem espaço e até evitam aparições conjuntas. De um lado, a ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro, atual presidente estadual do PSDB, ainda não anunciou a que cargo disputará, mas permanece como figura influente nos bastidores. Do outro, o prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), que atravessa uma fase de alta aprovação popular e consolidação política na capital.
Embora Cinthia tenha apoiado Eduardo no segundo turno de 2022, desde que ele assumiu o comando da prefeitura, sua gestão tem evitado associações com a administração anterior. Eduardo, ao estilo próprio, repete em falas públicas que “não dirige olhando para o retrovisor”. E embora o discurso seja institucional, o recado é político.
A eventual fusão pode unir siglas, mas não garante a convergência automática de interesses. Os deputados estaduais Eduardo Mantoan e Júnior Geo (ambos do PSDB) devem buscar reeleição, enquanto o grupo de Eduardo trabalha para eleger aliados à Assembleia e ampliar presença na Câmara Federal. A depender de como o arranjo for conduzido, a fusão pode ser uma ponte ou um campo minado.
No segundo movimento, a federação entre o União Brasil e o PP já é fato consumado. A aliança, batizada de “União Progressista”, foi anunciada nesta semana após aval unânime da Executiva Nacional do Progressistas. A nova força política terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 117 parlamentares, e funcionará sob comando rotativo entre os dois partidos — com o deputado Arthur Lira (PP-AL) como primeiro presidente da federação.
No Tocantins, o impacto é imediato. De um lado, o União Brasil tem a senadora Professora Dorinha como pré-candidata ao governo estadual e Carlos Gaguim como opção ao Senado. Do outro, o PP é comandado por Vicentinho Júnior, que também está em pré-campanha para o Senado. Agora, ambos precisarão decidir se caminharão lado a lado ou se a federação será palco de disputa interna.
A composição local exigirá habilidade de negociação, especialmente em relação à cabeça de chapa majoritária e à montagem das nominatas proporcionais. A federação exige fidelidade partidária por quatro anos — não há margem para traições ou candidaturas avulsas. É jogo para profissionais.
A nível nacional, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), é cotado para disputar a Presidência da República pela nova federação, reforçando o viés conservador e liberal da aliança. A expectativa é de que os estados mais estratégicos, como Tocantins, passem a ser palco de testes para o modelo de coalizão que a União Progressista pretende consolidar.
O cenário que se desenha é de adensamento político. As movimentações partidárias antecipam a disputa de 2026 e colocam líderes tradicionais e novos gestores em um mesmo tabuleiro. Palmas — com seu peso eleitoral e simbólico — tende a ser peça-chave nesse jogo. Quem souber compor com inteligência, pode sair na frente. Quem subestimar as novas regras, pode acabar fora do tabuleiro.



