Futebol tocantinense brilha em campo, mas sofre fora dele: clubes finalistas não recebem premiação enquanto presidente da FTF tem super salário

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Futebol tocantinense brilha em campo, mas sofre fora dele: clubes finalistas não recebem premiação enquanto presidente da FTF tem super salário

Leomar Quintanilha, há 36 anos no comando da Federação, recebe R$ 215 mil por mês, enquanto campeões locais lutam por sobrevivência

No último sábado, 5 de abril, o Estádio Mirandão, em Araguaína, viveu uma noite histórica. Em um clássico local que parou a cidade, União e Araguaína disputaram a grande final do Campeonato Tocantinense de Futebol. Com casa cheia e emoção do início ao fim, o título foi decidido nos pênaltis, com vitória do União, diante de milhares de torcedores.

Apesar da festa em campo, fora dele o cenário é de frustração. Diferente de outros estados, onde os campeões estaduais recebem prêmios em dinheiro como incentivo e reconhecimento pelo desempenho, no Tocantins os dois finalistas não verão sequer um centavo vindo da Federação Tocantinense de Futebol (FTF). O contraste escancara um abismo na gestão esportiva local.

Enquanto os clubes enfrentam dificuldades para manter folha salarial, estrutura e logística, o presidente da FTF, Leomar Quintanilha, tem um dos maiores salários do país entre os dirigentes estaduais: R$ 215 mil mensais, totalizando cerca de R$ 2,75 milhões ao ano. A informação foi revelada na última sexta-feira (4) pela Revista Piauí, em uma reportagem que expõe os altos vencimentos dos cartolas ligados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Aos 79 anos, Quintanilha está há impressionantes 36 anos à frente da FTF e, recentemente, foi alçado à vice-presidência da nova diretoria da CBF, presidida por Ednaldo Rodrigues. Segundo a publicação, os salários dos presidentes das federações estaduais saltaram de R$ 50 mil para mais de R$ 200 mil mensais após a chegada de Ednaldo à presidência da CBF — um reajuste de quase 300%, incluindo benefícios como o décimo sexto salário.

O contraste entre a realidade dos clubes tocantinenses e os altos salários da cúpula esportiva local acende o alerta sobre a forma como o futebol é gerido no estado. Ainda que o Governo do Tocantins tenha destinado R$ 3 milhões em patrocínio ao futebol, a ausência de contrapartida da Federação compromete o desenvolvimento de um calendário competitivo e sustentável.

Dirigentes, atletas e torcedores apontam que o modelo centralizador e longe do cotidiano dos clubes adotado por Leomar representa um dos maiores entraves ao crescimento do futebol tocantinense. Sem um plano efetivo de valorização das categorias de base, formação técnica e incentivo aos clubes, o Tocantins segue isolado no cenário nacional, mesmo revelando talentos e mantendo estádios cheios em momentos decisivos.

A noite mágica no Mirandão mostrou que o futebol tocantinense tem público, paixão e potencial. Falta agora uma gestão que esteja à altura do que acontece dentro das quatro linhas.

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